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BLOG – Os “Diários de Bordo” eletrônicos que redescobriram o Jornalismo

Publicado por: jornaleiras em: Agosto 14, 2008

Blog, blog, blog, blog, blog… blog… Some á essas seis palavras anteriores 9.994.000.000 e, você terá o número de “diários de bordo” eletrônicos no mundo hoje. Se preferir tente imaginar repetir este nome 1 bilhão de vezes e você encontrará a real dimensão da influência e da transformação que esta palavra inglesa – contração de weblog (diário de bordo) representa na comunicação hoje no mundo. Pois, em 1999 era apenas um único diário de bordo, navegando, á deriva, sozinho, na imensidão do mundo virtual, hoje são 10… Milhões deles! É um número respeitável considerando a natureza dos blogs – que tinham, até pouco tempo, estritamente caráter confidencial. Que, aparentemente, servia, apenas, como um espaço para comentários esporádicos sobre assuntos aleatórios, muitas vezes, inúteis. 10 milhões é um número expressivo para um espaço considerado, preconceituosamente, como, apenas, um lócus on-line de conversa pra boi dormir.
No entanto, o jornalista Ricardo Noblat fundamentou, em entrevista, na Sala Itaú Cultural de São Paulo, em um bate-papo de previsões, que os tão populares blogs são mais do que meros “consultórios sentimentais”, de pessoas inspiradas e de gênios afins e que, na verdade, é um instrumento transformador e poderoso que está convergindo para o jornalismo – o novo, diga-se de passagem, que está surgindo em função destes “diários de bordo”, que eram tão despretensiosos a princípio. Opinião, de quem produz um dos blogs políticos mais acessados no país.
Com os novos espaços virtuais, aonde se cria e se expressa o que quer, em um lócus onde tudo é público e de ninguém de fato, a contradição na sociedade ganhou contornos mais fortes, porque a informação deixou de ser linear e passou a ser difusa, quando centenas de milhares de pessoas ganharam a prerrogativa de poderem produzir conteúdo e conhecimento. De expressarem pensamentos alternativos para assuntos diversos, que até então tinham somente uma leitura. Com base nisso, Noblat afirmou que a mídia virtual é uma “belíssima escola” que está reinventando o modo de fazer jornalístico que até bem pouco tempo se limitava a abordagens restritas, rebuscadas e entediantes sobre assuntos, que, agora, com as centenas de contribuições diretas ou indiretas de opiniões, seja a favor ou contra de um determinado assunto. Criou-se uma tônica maior e mais reflexiva sobre os problemas e questões do cotidiano.
Com a ampliação da liberdade de expressão, muita coisa veio á tona. Muita certeza se deixou de ter, e a expressão “há mais coisas entre o céu e a terra que sua vã filosofia jamais imaginou” nunca esteve tanto em voga. Pois, criou-se ambientes alternativos de discussão para pensar e repensar situações, comportamentos, idéias clichês que até então convenciam. Satisfaziam. Era Deus no Céu e a imprensa na terra.
Agora, o que se vê é a decadência da monopolização das ilhas de saber – academias, escolas e universidades e da própria mídia convencional. Muita coisa se tornou relativa.
Assim, a razão, segundo Noblat, para o sucesso alcançado pela página pessoal que ele mantém como jornalista, discorrendo sobre política, se deve muito a esta forma alternativa de análise e conversa com o leitor. Pois, se “comenta os comentários do dia e da semana”. Não é notícia, é discussão sobre a notícia. É um parecer. Não uma conversa restrita entre jornalista e a fonte – como acontece muitas vezes, quando relações pessoais (amizade) predominam sob a relação profissional, Não há uma linha editorial, ditatorial.
Isto tudo é inusitado.
Na internet; nos blogs da vida, arrogância jornalística não cabe. Humildade é ótimo e as pessoas gostam e agradecem. Até porque, como lembrou Ricardo, o blog, criou outra situação inusitada, para aquele que produz nestas páginas conteúdos de cunho oficioso como os jornalistas, por exemplo, que assinam seus textos sem pseudônimos: criou-se uma espécie de corpo-a-corpo com o leitor delicado.
Ou seja, com o advento dos blogs está se criando, no caso jornalístico, a necessidade de ter uma perspicácia e trabalho de apuração, maior do que a usual, sobre o que se publica. Por que, diferente do mundo dos impressos, aonde barrigadas e erros são mais facilmente camuflados, onde ás vezes os nomes aos bois são ocultados, na internet o mecanismo é diferente. A história é outra. A exposição é maior e as implicações também. Assim, aquele que apresenta a identidade real (jurídica, registrada) como no caso dos jornalistas, que assinam seus conteúdos, entende que há uma responsabilidade e uma busca pela exatidão, maior. Pelo menos no caso de Noblat – segundo suas declarações, ele deixa entender que se sente mais impelido a verificar o que de fato vai analisar e registrar. Pois, o jornalista tem um nome e uma identidade a zelar, tamanha as expectativas e credibilidade que giram em torno do trabalho que ele desenvolve.
Por fim, Ricardo chamou atenção para outra questão complexa e polêmica que circunda todo o mundo: o tempo de vida dos impressos. Se eles estariam fadados a acabar ou não. Noblat, de forma pontual, argumentou dizendo que a decadência da imprensa é culpa do modelo arcaico e sisudo no qual é veiculado e que seriam os próprios jornalistas os agentes que impede a revolução dos jornais, pois permanecem relutantes a mudanças e adaptações mais drásticas. A começar pelo discurso, pelo enfoque.

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