Os ‘meios estranhos’, leia-se internet e suas ferramentas tecnológicas, estão impondo novas problemáticas á comunicação tradicional. A ordem do jornalismo está se subvertendo. Isto é fato. Novos meios de interação e informação surgiram, e moveram o epicentro da notícia. E foi sobre está temática – o advento do ‘jornalismo on-line’ e dos blogs, que o jornalista do periódico espanhol El País e Wagner Barreira, da Editora Abril, conversaram. Ambos falaram das adaptações pelas quais as empresas de comunicação estão passando e devem passar, indefinidamente, na tentativa de acompanhar as próprias mudanças, freqüentes, pelas quais os novos meios tecnológicos passam, pois eles são agora o novo mainstreem da informação no planeta.
Se antes o jornalismo impresso, radiofônico, televisivo era resumidamente o chamado 4º poder – a quem cabia a responsabilidade de fiscalizar irregularidades e ilegalidades praticadas na esfera pública e social, denunciando através de reportagens e boletins, hoje os comunicadores sociais vêem este poder se relativizar e até enfraquecer. Com o surgimento dos registros de rede, espaços democráticos, livres e dinâmicos – blogs, fotologs, videologs, novos (centenas de milhares) de locutores surgiram como vozes ativas. A unilateralidade que antes advinha do jornalismo – único provedor de informação para a população se dissolveu. Hoje, o jornalismo também é fiscalizado. O que é pautado, produzido por ele é contestado, em espaço público ainda que virtualizado. A credibilidade, a isenção total dos jornalistas em suas publicações sucumbiu. O público agora tende a ser mais seletivo. Tende a filtrar o que é melhor. Este fato aprofunda no problema antigo de averiguação, responsabilidade e forma de interação do jornalismo. Informar hoje não basta. A informação tem que trazer outros valores e noções superiores. A internet é um meio visceral, as pessoas desejam se expressar. Nela, aonde a possibilidade de interação é maior as pessoas prezam mais a sensação do que o campo de idéias. Outro segredo que o jornalismo está desvendando.
Portanto, aos comunicadores sociais foi delegada a tarefa de entendimento, adaptação e uso inteligente destas ferramentas que criaram um espaço de críticas, e produção de novos conteúdos de forma direta e interativa. A missão agora é redescobrir a função jornalística nesse universo plural de informações e público. E não deve ser encarada como ameaça se as devidas transformações foram tomadas. A velha comunicação tem que acompanhar o ritmo da nova comunicação. O El País, por exemplo, visando esta nova onda comportamental e tecnológica, investiu em conteúdo para internet, alterando a linguagem, as abordagens, os assuntos, amarrando todo conjunto na questão da interatividade que tanto nos atrai, ultimamente. Como efeito o público leitor do El País é maior na internet, com dois milhões de leitores on-line em detrimento dos 650 mil leitores da versão impressa. O EP3, revista multimídia, direcionado a pessoas jovens (de 13 a 25 anos), foi criado com intuito de captação de um público disperso e desinteressado nas informações diárias. Assim, ainda que defronte um grande desafio, o jornalismo pode usufruir de recursos alternativos e se unir as próprias facilidades de interação tecnológica para restabelecer a ligação com o seu público.